Uma luz sobre o filme Somos tão jovens

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O ano de 2013 tem se mostrado bastante generoso com o fãs do Legião Urbana e por que não dizer com os fãs da música brasileira. De uma tacada só, o público foi premiado com dois longas metragens que retratam um pouco da história da banda candanga e seu mentor, o genial Renato Russo. O filme “Somos tão jovens” estreou no dia 03 de maio e desde então vem arrebanhando multidões, mais de um milhão de espectadores já assistiram a película em menos de 10 dias. A próxima estreia será de “Faroeste caboclo”, história baseada em música homônima de sucesso da banda.

O filme “Somos tão jovens” foi produzido com o apoio de consultores que viveram aquele período de efervescência na cena musical brasileira. O país caminhava célere para o final da ditadura militar. A década de 80, por muitos considerada a “década perdida”, mostrava que tinha algo de valor com o surgimento do novo rock brasileiro. A proposta era lançar as bases de uma identidade própria, sem necessidade de imitar os esteriótipos americanos ou europeus, mas claro, influenciados por estes em sua formação.

O roteiro procurou ser fiel à biografia de Renato apesar de existirem algumas licenças poéticas inverossímeis. A roteirização contou com a ajuda da mãe do artista, Carmen Teresa Manfredini, e com amigos como Philippe Seabra, vocalista da da banda Plebe Rude. A história inicia com Renato imiscuído na cena underground brasiliense. Como mostrado no filme, havia uma certa promiscuidade musical entre as bandas. Pode-se dizer que todas influenciaram e foram influenciadas num fluxo frenético e contínuo de experiências musicais. Eram comuns encontros com outros artistas que hoje são ícones do rock nacional. Desfilam na película: Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial, Philippe Seabra do Plebe Rude e Herbert Vianna do Paralamas do Sucesso.

E tudo começou com o Aborto Elétrico que, como o nome já permite deduzir, teve vida curta e foi extinto por problemas de relacionamento entre os integrantes. Os constantes ataques de destempero de Renato Russo foram retratados até de forma exagerada pelo jovem ator Thiago Mendonça. Tecnicamente há algumas cenas típicas de overacting, ou seja, exagerar na execução do papel. O destaque positivo é para o áudio do filme que foi bem trabalhado, com uma lista de músicas marcantes nesse período prolífico de Renato e sua Legião. A cena em que a banda foi tocar em Patos de Minas não corresponde fielmente à realidade visto que a música executada não foi ‘Que País é este’ e sim ‘Música urbana 2’ que tem o mesmo teor crítico. Pormenores e licenças, que não maculam a qualidade da obra, tem uma mistura balanceada de imagens atuais com flashbacks. As imagens foram trabalhadas com filtros para parecerem de fato filmadas nos anos 80, o cenário é a plúmbea Brasília com seus prédios cinzas e espaços ajardinados de forma generosa.

O protagonista consegue conduzir bem a trama, permitindo jogar uma luz sobre a homo afetividade do Renato Russo, entretanto esta questão foi retratada de forma superficial, caracterizada apenas por sua atração pelo baixista do Aborto Elétrico. Marcante foi o retrato da relação com a personagem fictícia ‘Aninha’, mostrando que os dois tinham relação sapiosexual apesar de ambos preferirem pares do mesmo sexo.

A trama nos conduz até a turnê da recém-criada Legião Urbana para o Rio de Janeiro e de lá para ser abraçada e amada por todo Brasil. Um país precisa de referências e na seara musical “Somos tão jovens” reconduz Renato Russo ao centro das atenções, apresentando o artista e seus sucessos às novas gerações. Vale a pena o esforço da fila, os escorchantes preços do estacionamento, ingresso e da pipoca. Vamos ao cinema!

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