Sobre bares, botecos e botequins


Bar do Parente

Tentei começar pelo título, mas bolar um que seja digno da pretensa grandeza do assunto é demasiado difícil, hercúleo para minha rasa capacidade imaginativa. Dessa maneira deixarei para batiza-lo quando assim achar por bem.

Arrisco-me por a mão nesse tema delicado, várias vezes abordado por boêmios letrados de quinta grandeza. Entretanto não me refiro à boemia lá das adjacências do trópico de capricórnio, prefiro os estertores do equador, e é para esses que dirijo minha palavra.

Falar sobre Bar é um doce solfejar verborrágico, assunto enciclopédico e muito bem representado nessa crônica de Antônio Prata. Aqui em Fortaleza há uma coluna denominada Comes e Bebes do Jornal O Povo que sempre traz alguma preciosidade aquilatada por boêmios inveterados. E cá eu, reles aprendiz do bom beber e dos prazeres noctívagos, querendo trazer uma nova luz sobre essa pauta muito bem cuidada pelos mestres.

Os bares em Fortaleza

É consenso que a cultura alencarina privilegia o novo e estrangeiro. Esses traços únicos determinam a rota da boemia em nossa província capital. Bares mesmo, de datas longevas, contam-se aos dedos como o Bar do Chagas, Bar do Parente, Flórida Bar, Raimundo dos Queijos entre outros.

A juventude, em sua maioria, prefere o que há de mais novo em termos etílicos. Desde a escolha da bebida, passando pelo acepipe, chegando ao sacrossanto reduto. O que ontem era o ‘point’, agora é o rincão esquecido. A modinha é beber em locais com a marca praia. Imaginem só um Bar do Chaguinha Praia? Inimaginável! Esses locais não tem alma! A atmosfera é hemértica e estéril, onde o som alto sufoca a boa conversa ao som dos “tchu, tcha, tche, tche, rerê” da vida.

Sinceramente esses locais não me apetecem, nem me convidem para qualquer evento que o nariz irá torcer e a presença dificilmente será notada. Gosto mesmo é de bar com copo americano, cerveja servida pelo garçom amigo, uma boa música tocada por gente vivida e o dono uma extensão de minha família. Onde entro com o maior respeito e fico com peso na consciência por não voltar mais frequentemente.

Uma geração roubada da boemia assim posso dizer. Ainda bem que desde cedo fui bem encaminhado pelo meu pai a gostar desses tipos de botequins. Obrigado Seu Roberto pelas inúmeras noites o acompanhando, a pedido de minha mãe, nos bares mais furrecas da cidade. Se tenho uma herança valiosa a lhe agradecer é essa: a simplicidade na escolha do Bar.

Assim continuarei a labuta pleiteando o título de boêmio em suaves parcelas, com bons amigos que a cada dia fortificam mais minha fé que a vida está de fato ali. E não em alguma padaria, doceria ou barraca de praia. Três vivas aos Bares de Fortaleza!

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