50 Anos do Cine São Luiz

Como aspirante a cinéfilo seria um pecado mortal esquecer data tão ímpar na história do Cinema Cearense, Brasileiro e (com um pouco de megalomania) Mundial! Sim, porque nesses 50 anos desfilaram figuras ilustres sejam nas telas ou nas poltronas. Desde Prefeitos, Governadores, Presidentes até Astros de 5ª grandeza de Hollywood como: Ingrid Bergman, Humphrey Bogart, Fred Asteire, Paul Henreid, Marilyn Monroe… Sem falar dos grandes artistas brasileiros como: Fernanda Montenegro, Marília Gabriela, Antônio Fagundes, Grande Otelo, Emiliano Queiroz, Carmen Miranda… Ufa, chega! Se for para citar nomes sem causar injustiça teria que passar o dia debulhando um rosários de excelentes profissionais que tiveram o prazer inigualável de nos serem apresentados nessa casa tão distinta.

 

Sempre que posso vou e convido amigos para assistirmos filmes no São Luiz. A atração não é o filme, esse é secundário. Tenho enorme prazer em sentar no banco da Praça do Ferreira, ficar de convescote sobre os assuntos mais importantes como também os mais pueiris e despretensiosos, degustar um saco de pipoca amanteigada com parcimônia, sem a pressa do corre-corre estressante do cotidiano, esperar ansiosamente por uma lufada de vento mais cavilosa na Esquina do Pecado que levante a barra da saia de alguma transeunte descuidada. E quando é chegada a hora, adentrar nesse Panteão onde nós, reles mortais, apenas temos o papel de nos resignarmos e contemplarmos a 7ª arte em sua plenitude. Antes de iniciar a película ficamos sempre admirados com a arquitetura do local, tentando advinhar onde é pintura e onde é alto-relevo, não é passatempo modorrento, é uma delícia! Inicia-se o filme, silêncio sepulcral, somos absorvidos para o mundo da tela, nada mais vive nas poltronas. Após findada a exibição nos dirigimos para ante-sala para apreciarmos os lustres de cristal tcheco, a escadaria de mármore carrara e seus corrimões dourados, os espelhos luminosos que guardam histórias incontáveis, em ambos os sentidos. Partimos, é chegada a hora da despedida, mais uma vez o coração fica apertado, ainda fico a fitar pela janela do automóvel aquele prédio cinqüentão, ansioso pelo breve reencontro.

Infelizmente não estive presente na sua festa de debute, pois na inauguração ainda não era nascido e nem sequer planejado, apenas meus genitores eram vivos, ambos na doce infância dos 8 anos, sem noção do que acontecia naquele dia na Capital Alencarina. Porém, para reparar essa falta estarei hoje presente, com a máquina fotográfica em punho para registrar momentos indeléveis que serão um tesouro para as próximas gerações. E que o nosso querido cinema resista e persista na caminhada árdua rumo à eternidade.

 

P.S.: Que me desculpe o Sr. Vavá e o Cine Nazaré do qual ele é proprietário mas hoje estarei em falta convosco mas acredito que vocês entenderão.

Contextos:

Jornal O Povo
http://www.opovo.com.br/opovo/vidaearte/775698.html
http://www.opovo.com.br/opovo/vidaearte/775709.html
http://www.opovo.com.br/opovo/vidaearte/775760.html
http://www.opovo.com.br/opovo/vidaearte/775707.html
http://www.opovo.com.br/opovo/vidaearte/775708.html

Jornal Diário do Nordeste
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=523262
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=523285

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